Brutális

Um espaço de humor e divulgação musical, com algumas coisas sérias pelo meio.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Os "Pinhos das Caldas"

«O Presidente da República juntou-se hoje à “indignação” manifestada pelos partidos relativamente ao comportamento do ex-ministro da Economia no debate do Estado da Nação, sublinhando que o respeito pelas instituições é “um princípio sagrado da democracia”.» [Público]


Apesar das várias mensagens de indignação e repúdio à atitude de Manuel Pinho destacam-se as reacções de apoio de alguns sectores.

Os deputados do Parlamento da Madeira, apesar da grande maioria pertencer à oposição, demonstraram a sua solidariedade com MP, afirmando "manguitos, insultos e injúrias pessoais são o pão nosso de cada dia por cá e temos a certeza que nem José Manuel Coelho faria melhor". Preparando a oposição a Jardim, o PS prepara-se para enviar MP como parlamentar para a pérola do Atlântico: "Pinho demonstrou um grande à vontade neste tipo de assuntos e é um desperdício como ministro", afirmou um porta-voz dos socialistas.

Pinho e Bernardino Soares serão algo do assédio de grupos e associações ligados às touradas, procurando assim arranjar embaixadores para a causa numa altura em que estão quase dentro do politicamente incorrecto. Sabe-se também que o Clube dos Cabrões os nomeou associados honorários, estando mesmo dispensados do uso dos tradicionais capacetes com cornos nas festividades do grupo.

As fábricas de cerâmica das Caldas, procurando revitalizar o sector com material novo, já ofereceram a MP uma proposta pelos direitos da sua "pose". Em breve veremos os Pinhos das Caldas lado a lado com os tradicionais falos, Zé Povinho e bonecada do futebol.

Internacionalmente algumas reacções também não se fizeram esperar, nomeadamente vindas de ex-países do bloco de leste. Fonte da diplomacia da Roménia afirmou numa longa entrevista "Esta malta por aqui sofreu muito com o comunismo", elogiando o ex-ministro "Manuel Pinho é um exemplo" e afirmando mesmo "Não é todos os dias que se chama cornudo a um comunista, ainda para mais um líder parlamentar (...) Lamentamos as consequências políticas do caso, mas o ex-ministro Pinho é um verdadeiro homem com tomates e um exemplo para as gerações futuras".

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Depois da papa Maizena...


Aparece esta.


Mas estamos perante um mal-entendido. Manuel Pinho apenas quis limpar o suor da testa ou avisar Bernardino Soares para um objecto qualquer num nível superior.

Mais estranho ainda foi o facto da senhora que faz as traduções para língua gestual ter ficado parada. Não existe essa palavra nessa "linguagem"?

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Uma questão de transparência?

Do Minho até às ilhas, um grupo de pais e mães, preocupadíssimos com a invasão da educação sexual obrigatória nas escolas resolveu manifestar o seu desagrado através de um movimento, a Plataforma Resistência Nacional. Reivindicam uma data de coisas, destacando-se a respeitabilidade e dignidade dos professores, a não integração dos rebentos como "cobaias de experiências demenciais", o fim do "nacional-sexualismo" e da imposição de uma "doutrina sexual oficial, a única e de Estado", assim como da obrigatoriedade da educação sexual nas escolas (com base no Projecto-lei nº660/X, recentemente aprovado na AR).

Consultando a página, temos acesso a um comunicado, que inclui alguns argumentos muito interessantes nem sempre bem fundamentados, num tom zangado e com alguma raiva.

É dito que apesar das escolas já fazerem a "explicação científica completa da reprodução humana", os políticos pretendem "doutrinar os seus valores e a sua visão do homem", algo provavelmente baseado no no exemplo da religião católica.

A contestação é grande no que toca ao “nacional‐sexualismo totalitário", uma coisa da qual nunca ouvi falar e que esta gente também não se dá ao trabalho de explicar (embora seja referido que vai "sexualizar de forma obsessiva todo o tempo escolar"). Também não apresentam alternativa, apesar de se acharem no direito de não quererem esse modelo.

"Se nós quiséssemos dar preservativos e contraceptivos aos nossos filhos não faltariam caixas nas nossas casas; sabemos muito bem onde os podemos ir buscar e de graça."

E aqui fica uma verdade: Não querem dar! Será que admitem sequer que eles os usem?

Depois consideram que os professores são "indignos de educar sexualmente os próprios filhos", apesar de "hiper‐habilitados para educar sexualmente os filhos dos outros", sendo obrigados "a leccionar matérias que não dominam e que, na maioria, não subscrevem". Creio não ser muito difícil encontrar professores competentes nesta matéria, nomeadamente nas áreas da biologia e saúde. Se não o fazem ou não o querem fazer por não "subscreverem" apenas posso encontrar paralelismos com os casos dos objectores de consciência no que toca à IVG.

Famílias mais informadas conseguem ensinar umas coisas aos seus rebentos a esse respeito. Mas há que considerar que a informação não chega a todos pelos mais diversos motivos, tendo a escola um papel importante no acesso a essa informação. Atenção que não se passa um atestado de mediocridade a todos os pais, apesar de haver alguns que parecem fazer por isso...

Entretanto indicam que "os nossos filhos não são da sociedade nem da comunidade escolar. A educação dos filhos é um direito/dever dos pais que é indisponível: nem os pais podem prescindir dele nem o Estado lho pode retirar". A educação sexual proposta é tirânica, "não científica" e definida como uma "intromissão intolerável na esfera de liberdade das famílias".

Resta saber se paizinhos como estes não se revoltam no futuro em relação às idiotices da teoria da evolução, da dificuldade dos filhos na físico-química, filosofia, matemática ou educação física, pedindo a anulação dos programas ou a sua opcionalidade. Podem seguir o exemplo de alguns cristãos evangélicos que retêm os filhos em casa com um professor particular que apenas lhes ensina o que lhes interessa.

E que tal dar uma espiada à "doutrina sexual de Estado", ou melhor, ao Projecto-lei nº 660/X? A introdução parece-me bastante interessante, apresentando a ES e planeamento familiar como dentro do direito à educação, tendo em vista a saúde sexual e reprodutiva dos mais jovens.


A situação actual no que toca a infecções com HIV e gravidezes na adolescência preocupa. Por motivos de natureza cultural, a meu ver, é referido ainda que metade dos jovens nunca falou de temas relacionados com sexualidade com o pai e mais de 30% nunca o fizeram com a mãe, ao mesmo tempo em que uma grande maioria reconhece ja ter tido relações sexuais. Daqui fica implícito que a escola tem de ter um papel preponderante nesta vertente educacional, ou seja, deve ser obrigatória (artigo 7.º). O programa parece-me equilibrado e adaptado às diferentes idades, de modo a acompanhar o crescimento dos jovens (art.º 4.º e 5.º). Algo que não havia no meu tempo (não tão completo, pelo menos) e que tive de ir complementando por fora.

Uma coisa é certa e há que proteger os jovens de si próprios e a ignorância não ajuda. E parece que temos também de os proteger em relação aos próprios progenitores. A Plataforma é teoricamente "independente e alheia a partidos ou outros agentes sociais qualquer que seja a sua natureza", mas cá para mim tresanda a catolicismo bacoco. Se de facto o é, por uma questão de transparência, gostaria de ver estes grupos a incluir a referência religiosa no seu manifesto. Não o fazem por vergonha ou porque lhes convém?

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Mas que pontaria nas descidas

«A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) rejeitou a inscrição do E. Amadora na Liga Sagres 2009/10, com o Belenenses, que fora despromovido no final do último campeonato, a ser convidado a continuar no escalão principal do futebol português.» [Record]


Pela segunda vez o Belenenses safa-se da descida por uma questão extra-desportiva, mas creio que o Trofense, com as contas em dia, merecia mais. E o Boavista também se deve safar...

A concorrência desleal de quem entra com orçamentos megalómanos e sem capacidade de os cumprir tem que começar a ter travão. Não se admite que equipas com as contas em dia desçam de divisão e outras permaneçam apesar de não cumprirem os seus compromissos. O Estrela (e o Setúbal) bem que mereceu.

Talvez seja ainda tempo das pessoas se aperceberem da gravidade que é a polarização do futebol no nosso país, uma espécie de "fim da classe média". E os grandes não vivem também acima das suas possibilidades, enterrando dinheiro em orçamentos "europeus", ainda para mais com o passivo acumulado? Eu gosto da liga com pelo menos 18 clubes, mas por este andar e com as exigências da LPFP poucos conseguirão reunir esses requisitos.

A cunha bispal


Estas palavras do Rui Rodrigues (num comentário a um post meu de há três semanas atrás) traduzem muito a situação da EMRC no ensino público e o estatuto dos seus docentes. A presença da disciplina não tem cabimento dentro de um Estado que se diz laico, assim como o facto dos professores estarem num regime à parte do concurso a que os outros se sujeitam, uma espécie de “cunha bispal”.

Há cerca de dez dias atrás, o Governo e o Secretariado Nacional da Educação Cristã encontraram-se de modo a clarificar a situação.

«as duas partes acordaram na necessidade de ser enviado um documento oficial às Direcções Regionais de Educação e através delas às escolas, bem como à Inspecção-Geral de Educação, visando reafirmar inequivocamente que os professores de EMRC gozam dos mesmos direitos dos demais professores, nomeadamente no que se refere à distribuição do serviço docente e sobretudo à atribuição de cargos, funções, áreas curriculares não disciplinares e outras disciplinas para as quais tenham habilitação própria. Quanto ao 1.º ciclo, será reafirmado o carácter curricular da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica. Assim sendo, apesar de ser de frequência facultativa é de oferta obrigatória. Terá também de ocorrer em continuidade com as outras actividades curriculares e não depois das áreas de enriquecimento curricular»

Outra notícia no site da EMRC digital, em relação ao documento enviado, aponta:

«O Despacho preconiza, com toda a legalidade, que os docentes de EMRC ”pertencentes aos quadros ou contratados, fazem parte do corpo docente dos estabelecimentos de ensino, sendo-lhes consequentemente aplicável o conjunto de direitos e deveres que incidem sobre os docentes dos restantes grupos disciplinares, como previsto no nº 2 do artº 5º do Decreto-Lei nº 323/83, de 5 de Julho”. Desta forma, continua o documento, os docentes de EMRC estão ”sujeitos às regras em vigor para todos os docentes, designadamente no que se refere à distribuição do serviço docente e ao cumprimento do semanário-horário, podendo ser-lhes atribuídos cargos, funções, áreas curriculares não disciplinares ou outras disciplinas para que se encontrem legalmente habilitados, em igualdade de circunstâncias com os demais docentes”»

Em conversas recentes com amigos professores, tive oportunidade de questionar e debater os argumentos acerca das políticas da Ministra, nomeadamente no que respeita ao sistema de avaliação e progressões de carreira. E claro que lancei também o tema da EMRC. Porém, pude constatar que nenhum estava a par do estatuto dos professores de EMRC e do facto de estes não se sujeitarem a concurso, acumulando os mesmos anos de serviço que os outros.

Resta saber se, numa classe que se quer dignificar (e espero que a profissão saia dignificada no meio de toda esta “luta”), não sobraria espaço entre as manifestações/romarias massivas que têm realizado nos passados meses para uma pequena reivindicação em relação a esta discriminação que passa praticamente despercebida pelos sindicatos.

E seria muito fácil ao PM e à Ministra atirar esta aos professores, mas quando tal (ainda) acontece por culpa do próprio Governo…

Publicado também no Portal Ateu.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Os bastidores...

«O antigo futebolista internacional Fernando Mendes (...) denuncia o recurso a doping no futebol português, no livro "Jogo Sujo", lançado esta segunda-feira, embora sem identificar clubes ou responsáveis pela prática.
(...)
"Havia jogos em que entrávamos no balneário e perguntávamos: 'Onde está o 'milho''? Pouco depois, aparecia o massagista com uma bandeja recheada de seringas para dar a cada um dos jogadores. Parecíamos galinhas de volta do prato, à espera da nossa vez: obcecados com a poção mágica que nos ajudava a correr mais do que os nossos adversários"
(...)
Mas nesse dia eu saltei que nem um louco e ganhei-lhe todas as bolas de cabeça. Parecia que tinha molas nos pés", detalha Fernando Mendes, admitindo ter jogado com "ajuda de estimulantes", no caso Pervitin.
(...)
recorda ainda os tempos em que levava "uma espingarda de pressão de ar" para os treinos do Benfica, o "gosto especial por prostitutas" dos russos Iuran, Kulkov e Mostovoi, ou a "verdadeira batalha campal nos balneários das Antas", após a agressão do liberiano George Weah a Jorge Costa.

Fernando Mendes refere ainda a presença de "mulheres" nos estágios da selecção nacional e o recurso ao doping numa das suas 14 internacionalizações, com a ajuda de um médico e um massagista do seu clube, a seu pedido, e "sem que ninguém se aperceba".» [JN]

E por falar em penas...

Pelo que se lê por aí entre caixas de comentários e posts, muito se fala na celeridade da justiça americana e na comparação com a nossa.


Uma coisa é certa, Madoff foi condenado a 150 anos de prisão em apenas 5 meses, por cá certamente que teriámos 150 anos de julgamento a desaguar numa pena (suspensa) de 5 meses...

São só números...

O advogado pedia 12, a sentença traduziu-se em mais 138 anos. Mas imagino que toda a gente queria que levasse pelo menos uns 25, factor que garantia uma perpétua.


150 anos por causa de 65 mil milhões de dólares perfaz aproximadamente 433 milhões de dólares por cada ano no xilindró.

A ganância é mesmo f***** e espero que não seja o único a ir dentro. E que o arresto de bens da família Madoff que provavelmente se sucederá sirva de exemplo para futuros casos.

Witch 70's Rock


Há que ter atenção aos recentes lançamentos (novos talentos e alguns já confirmados) da Rise Above Records. Este é o primeiro de três posts sobre trabalhos da editora britânica à responsabilidade de Lee Dorrian (Cathedral), que nos oferece também os excelentes Witchcraft e Grand Magus.


Os canadianos Blood Ceremony constituem uma das mais recentes surpresas dentro do rock progressivo. Datado do ano passado, o homónimo álbum de estreia é uma bem conseguida mistura entre um doom ao estilo de (principalmente) Black Sabbath e Pentagram, com muitos tiques de Jethro Tull à custa da flauta à responsabilidade da vocalista (sim, com voz feminina!) Alia O'Brien.

O álbum é variado, atmosférico e com muito feeling. Épicos ao estilo early Black Sabbath coexistem com partes mais folk à la Jethro Tull, com destaque para A Wine of Wizardry (mais virado para Pentagram), The Rare Lord (um autêntico hino sabbathiano cujo início lembra The Snow Goose de Camel, encerrando mais ao estilo da banda de Ian Anderson) e Return to Forever, tema do vídeo mais abaixo.




Domingo, 28 de Junho de 2009

Eu andei por lá...

Entre as várias voltas que dei hoje durante a tarde e de madrugada e apesar das condições climatéricas não terem sido as melhores, pude reparar que a afluência dos cidadãos (entre anónimos e conhecidos) ao Choupal foi boa.


Queria dar os parabéns ao pessoal da Plataforma do Choupal pelo sucesso desta iniciativa e por todo o trabalho que têm desenvolvido.

Sábado, 27 de Junho de 2009

A influência da Dona Dolores chega muito alto, não haja dúvida...

Porque é que Ronaldo vende mais do que Messi e Kaká? Fora dos relvados Messi é calmo, discreto e humilde. E Kaká é evangélico...

«Decidido a afastar o craque português do assédio da imprensa ‘cor-de-rosa’, o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, veria com muito bons olhos a subida de Cristiano Ronaldo ao altar (...) o líder merengue poderá (...) tentar convencer o jogador a casar-se e a ter filhos, para assim viver mais tranquilo, longe das objectivas dos 'paparazzi'.» [A Bola]

Mas no fundo é uma maneira alternativa de dizer: "Custaste nota comó c******, por isso quero-te longe da rambóia".

Uns meros quatro por cento…

O Cardeal brasileiro Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero, cerca de um mês depois de ter enviado uma carta ao Vaticano a pedir a punição dos padres pedófilos, «qualificou a pedofilia como “um crime terrível», reconhecendo que «afecta 4% do clero».

Parece pouco, mas quatro por cento é um número impressionantemente elevado. Vergonhoso.

Na referida carta em Maio afirmou ser necessário julgar e punir «devidamente» os clérigos envolvidos em escândalos de abuso sexual, constituindo uma «percentagem muito pequena», dizendo ainda não haver lugar na actividade para gente que comete crimes dessa natureza.

Resta saber se as palavras do Cardeal têm efeito. Se todos os envolvidos nos escândalos (antigos e futuros) passarem a ser entregues às autoridades (e simbolicamente, até podiam começar por este senhor) pela hierarquia a partir do momento em que algo aconteça, a ICAR recuperará alguma credibilidade, pois caso não façam nada fica a imagem dos padres associada a um «preconceito negativo muito forte».

E acrescento mais. Se aparecem mais escândalos destes nas décadas que se seguem, a percentagem de católicos no futuro caminhará certamente para esses quatro por cento

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Obituário- Morreu o Mr. Jefferson

Ou como repetir neste espaço um videoclip pela segunda vez, mas bem mais divertido que o original...



Menos um senhor que gostava de criancinhas ou menos um ícone dentro do estilo musical mais merdoso à face da Terra logo a seguir à música romântica???


PS: Quem não perceber o título é favor perguntar na caixa de comentários.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Mais um exemplo de tolerância cristã

A 27 de Junho tem lugar em Sófia, Bulgária, a “Rainbow Friendship”, a marcha local do Gay Pride.

Porém, um grupo de estudantes de teologia da Universidade de Sófia resolveu lançar uma contra-manifestação (referida mesmo como “manif” anti-gay) de protesto no dia de ontem, com o apoio de outros cristãos ortodoxos (religião maioritária no país), de clérigos e da “Irmandade dos Templos Ortodoxos de Sófia”.

Leia-se o seu “manifesto”:


[Trad: Não estamos contra o direito de alguém se identificar e pertencer a determinado grupo, mas não pensamos que é em benefício da sociedade a publicidade à homossexualidade]

Indicam ainda que “a Gay Parade não é um fenómeno inofensivo, mas sim uma tentativa de eliminar as fronteiras entre o que é normal e o que não o é“.

A primeira Marcha Gay da Bulgária teve lugar no ano passado, com a prisão de 60 pessoas (nomeadamente membros de grupos de extrema direita) pela polícia devido ao arremesso de pedras e cocktails molotov. A marcha deste ano tem o apoio de 11 embaixadas, incluindo as da Alemanha, Reino Unido, EUA e França e é dedicada ao 40º aniversário da Rebelião de Stonewall, acontecimento que deu origem às marchas do Gay Pride.

Aqui está mais um exemplo de tolerância cristã (que felizmente não é representativa de todos) mas que passa quase despercebida (e não se vê também muita gente de dentro a condená-la). Dizem sempre que não estão contra o facto de alguém ser A ou B, mas ai dele se resolver ir para a via pública manifestar as suas ideias. A isto eu chamo censura e hipocrisia.

Resta saber os efeitos que uma manifestação anti-cristã teria na imprensa e opinião pública se um grupo de cidadãos resolvesse manifestar o seu desagrado em relação a certos aspectos da doutrina religiosa, afirmando ao mesmo tempo que essa doutrina não é “em benefício da sociedade”.

Mas claro que o senhor do post anterior ficou famoso por cá à custa de outras canções...

O grande Zé


Andava eu há alguns anos atrás em pesquisas num dos meus sites preferidos quando me deparei com ele. Não conhecia este álbum, fiquei surpreendidíssimo. Adquiri-o a semana passada e recomendo a quem seja fã do estilo (a saber, King Crimson, Pink Floyd, Camel e progressivo brasileiro).

O carismático, nem sempre bem humorado e algo incompreendido José Cid é autor de uma das maiores obras de Prog Rock do final dos anos 70, "10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte", bastando para isso dar uma vista de olhos ao nº 42 do Top do Progarchives para categoria de "symphonic prog".

De facto, este concept-album algo apocalíptico dentro do rock sinfónico/psicadélico tem várias virtudes, nomeadamente no que toca aos teclados à responsabilidade de JC, destacando-se o Moog e o Mellotron (mas também com piano e fender Rhodes). O álbum é heterogéneo, mais mexido em "Caos", mais triste e desenvolvido e com partes à la Pink Floyd em "Mellotron o Planeta Fantástico" (excelente o rhodes) e em "Fuga para o Espaço" e mais psicadélico em "A Partir do Zero".

Mas claro, a inconfundível voz de JC é a imagem de marca. Confesso que demorei um bocado a habituar-me, mas é algo que torna este trabalho único. Apenas tenho pena de ele não ter prosseguido mais dentro deste estilo, mas tal como acontece a alguns músicos dentro do nosso país, o sucesso é bem maior lá fora e nem sempre instantâneo...

E que tal uma pequena amostra? (em playback)


Sábado, 20 de Junho de 2009

Eu subscrevo!

Não haja dúvidas que o Bosingwa foi o único que teve tomates para dizer o que pensava na altura e foi "justamente" penalizado pelos senhores que muito provavelmente fizeram tudo para ter uma final com uma certa equipa espanhola.


Na Fórmula 1 já há meia dúzia de dissidentes e resta saber se, continuando assim, alguns "grandes" do futebol europeu ainda se agrupam numa competição alternativa...

Cine Brutális

Tendo em conta que o Irão está em polvorosa devido a uma alegada fraude eleitoral nas eleições da semana passada gostaria de deixar aqui uma sugestão cinematográfica que andou um bocado em alta há cerca de dois anos atrás e que tive oportunidade de ver no passado mês.

Persepolis (nome da capital do antigo império Persa) é uma animação predominantemente monocromática (inspirada na BD homónima) escrita por Marjane Satrapi e realizada por Satrapi e Vincent Paronnaud. Conta-nos a história de uma rapariga (é uma autobiografia da própria escritora e realizadora) cuja infância e adolescência apanha a transição entre o Irão do Xá e o Irão pós-Revolução, entre Viena e Teerão, com a guerra Irão-Iraque à mistura.

Marjane cresce numa família de intelectuais de esquerda muito dados aos prazeres da vida. Com dez anos nota grandes diferenças no país em que cresceu, muito por imposição da Revolução Islâmica e da sua polícia de costumes. Muito iraniano encarou a Revolução como uma transição para algo melhor, mas uma ditadura (pior) substituiu a outra. Com o agravar da repressão, ainda adolescente, é mandada estudar para Viena onde se depara com uma realidade completamente diferente e que não corresponde às suas espectativas.

Chiara Mastroianni, Catherine Deneuve e Danielle Darrieux dão voz às principais personagens da animação, respectivamente Marjane, a sua mãe e a sua avó. Todas rebeldes e inconformadas com a ditadura islâmica e com a repressão dada às mulheres. Uma película sobre uma pequena heroína perdida entre duas realidades completamente diferentes e nas quais não se enquadra totalmente. Uma história sobre um Irão que já foi moderno e progressista (e onde os religiosos eram mais moderados) transformado num Irão teocrata e hostil.

Aqui fica uma amostra.



Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Fala o Supremo Líder

O ayatollah Ali Khamenei, (finalmente) ao fim de quase uma semana de confrontos e manifestações, veio a público apoiar incondicionalmente Mahmoud Ahmadinejad. Como primeira figura do Estado, tenta também pôr travão à instabilidade política vivida nas ruas do Irão, onde foram frequentes casos de violência contra manifestantes pró-Mousavi, registando-se quinze mortes nesta semana.

«”O povo escolheu quem quis” para a presidência do Irão (…) A pressão da rua não levará o regime a satisfazer “exigência ilegais” dos candidatos derrotados (…) “O braço-de-ferro na rua é um erro, quero que termine.” (…) “A eleição testemunhou a confiança do povo no regime” (…) “Os resultados têm de vir das urnas, e não da rua” (…) Khamenei avisou que os candidatos da oposição, que estão a incentivar os protestos, serão considerados culpados por qualquer banho de sangue que venha a ocorrer, e que será uma consequência do seu extremismo.»[Público]

O actual Presidente é o candidato que mais se enquadra nas ideias do Conselho dos Guardiães da República Islâmica e uma garantia do status quo a nível de costumes, coisa que grande parte da população mais jovem tentou mudar através do voto (para além das muito importantes política externa e economia).

«Quanto às acusações de centenas de irregularidades lançadas pelos rivais de Ahmadinejad, o ayatollah garantiu que a República Islâmica nunca permitiria que houvesse fraude eleitoral.»

Clérigos mais moderados com intenções reformistas têm manifestado o seu apoio ao candidato derrotado. O que resta saber é o que pode acontecer à Revolução Islâmica caso haja novo escrutínio (pois as próprias autoridades já admitiram irregularidades) e se confirme uma vitória de Mousavi. Caso tal aconteça com uma completa inversão nas urnas a nível de resultados, o líder supremo ficará (se não o está já) descridibilizado. Wait and see…

Publicado também no Portal Ateu.

Como deturpar completamente os artigos idiotas que andam a sair na imprensa acerca dos 90 e tal milhões

Abençoado Inimigo! Como eu gostava de ter escrito isto!


 
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